domingo, 20 de abril de 2008

Portugal Genial

É quase um crime que não recomendemos este pequeno livro sobre as maiores genialidades do nosso pais, primeiro pelo discurso que temos tido da defesa do que é português e depois porque o próprio Manga Curta já citou várias vezes algumas passagens do mesmo.

O autor é Carlos Coelho, um dos fundadores da Ivity, uma das únicas agências de branding de Portugal e responsável pela criação e re-design de algumas das marcas mais conhecidas do n0sso cantinho (Galp, TAP, CTT...) e colecciona uma série de case studies que o mesmo escreveu semanalmente para o Diário Económico.

Um repto à valorização da marca Portugal!

Uma recomendação original do Rafael... o melhor de tudo é o preço acessível!

sábado, 5 de abril de 2008

Peter Saville

A experência é um aspecto muito importante na actividade de um Designer Gráfico ou de qualquer profissão. Este facto permite-nos concluir que não nascemos ensinados, seja para o que for. Este excerto de uma entrevista com o Designer Gráfico Peter Saville, que trabalhou com os famosos Joy Division, é uma excelente fonte de inspiração para todos nós.





Peter Saville

sexta-feira, 28 de março de 2008

Janus

Aproveito alguns instantes de ataraxia e liberdade laboral para explanar e divagar descomprometidamente. Desta feita, e por me encontrar distante e desprovido de um objectivo com este escrito, parto apenas de um mote ou preconização vulga de um tema, que na verdade, se bifurca neste binómio: premissa e concretização.


Exije-se de uma obra, de uma produção, invariavelmente a sua progenitura, que disponha de uma premissa, de um prefácio lógico e pensado que sustente a própria concepção; em última instância, apelidemos ou aceitemos a premissa de um discurso, diálogo ou reivindicação, como os pressupostos que regem e diligenciam o firmamento dessa mesma obra.


Ora, socorrendo-me do velho ditame: "De boas intenções está o inferno cheio.", o ardiloso busílis da premissa e do resultado da sua condição, é a incoerência frequentemente consumada entre o que se pretende e o que se consegue.


Acreditando na obra artística e, honrosamente humana, como oscilante, variável, indefinida, neste caso como noutros, a mise en scène, o invólucro e revestimento simbólico de uma produção, legitimam-na ou denigrem-na; existe por isso, aquilo a que chamo idiossincrasicamente: a condição de Janus, num projecto e consequente concretização; Janus, deus do passado e do futuro, dipondo as duas cabeças, uma para a frente (futuro), outra para trás (passado), descreve um pouco do que acredito ser o processo de edificação de algo: a premissa - a cabeça do passado, e a concretização - a cabeça do futuro; o perfeito conluio entre ambas é inverosímil; podemos apenas aspirar a um litígio entre o que desejamos e somos capazes de conseguir; mas, mais reverberante ainda, aquilo que somos capazes de conseguir desejar.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Reverse Graffiti

Nem mesmo aqueles que procuram ser amigos do ambiente são compreendidos.



Alexandre Orion (www.alexandreorion.com)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Juízos

A primeira coisa que se ensina a um estudante de arte ou design é a diferenciar entre juízo de gosto e juízo de valor.

Juízo de gosto é aquele que todos temos desde a nascença, baseia-se apenas na experiência sensível de prazer ou desprazer com o objecto de apreciação estética. É um juízo extremamente subjectivo, dependente dos gostos aleatórios de cada um e como tal egoísta e na maioria das vezes injusto (principalmente se o apreciador tiver "mau gosto").

O juizo de valor baseia-se numa avaliação equilibrada e esclarecida (dentro das limitações de cada um) daquilo que são as qualidades e os defeitos do objecto estético. É um juízo justo (passo o pleonasmo) porque não se baseia apenas em gostos pessoais, mas sim numa equação de esforço técnico/criatividade com resultado estético final.

Exemplo de um juízo de valor, é o caso de uma ilustração de que não gostamos pela cor, ou pelo estilo de desenho mas que avaliamos como muito boa pela qualidade técnica, pela genialidade do conceito ou até mesmo pelo grau de dedicação e esforço que transpira do trabalho.

E não precisamos de ser artistas, nem designers para fazer juízos de valor, até porque no caso de sermos leigos na matéria o valor do trabalho é sempre maior! Afinal, se não sabemos como se faz ou se não conseguimos fazer melhor, será que isso não confere logo um valor elevado ao que está sob apreciação?

A próxima vez que avaliarem algo, lembrem-se que não está em jogo apenas o vosso gosto mas também o valor intrínseco daquilo que avaliam...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pesso[as]


"Sou a cena viva onde passam vários actores, representando várias peças"

Este é o mote encabeçado por Bernardo Soares, heterónimo pessoano com vincadas parecenças com Pessoa Ortónimo, que intitula o prefácio, o móbil e a essência da desfragmentação pessoana do Eu. Pessoa veste e desveste, usa e toma partido por trajes e máscaras várias, no seu Castelo feito de pedras de consciência; numa torre píncara e idílica, nos contos nunca ouvidos do seu devaneio, Pessoa perde-se e desliza pelo pó pensado do soalho, na casa de espelhos que é o seu intelecto. Espero conseguir ter passado uma estilização de um mestre que me influenciou e influencia tanto e, que, é sem dúvida um legado do espólio escrito português. O génio, a criança convalescente, o ardil e múltiplo-Pessoa.



Ai está uma nova Manga Curta produzida e pontinha para sair a voar para a caixa de correio. Parabéns ao Sofisma pelo excelente trabalho, que teve uma pontuação inequívoca e exemplar!

É uma boa ilustração daquilo que se consegue com esforço e dedicação ;)


Para comprarem esta Manga Curta
http://www.mangacurta.com/artigos/pesso-as

sábado, 15 de março de 2008

Sebastião Rodrigues

Talvez mais importante que defender o uso da língua portuguesa no design seja divulgar o design português, principalmente aquele que se fazia antes da globalização da criatividade.

Sebastião Rodrigues é por muitos considerado o pai do design português, nasceu em 1929 no Dafundo e começou a sua carreira de artista gráfico a fazer biscates para o jornal A voz, onde o seu pai dirigia a secção de publicidade. Em 1945, recebe um convite para entrar na APA (Agência de Publicidade Artística) onde toma contacto com vários designers experientes como José Espinho, Manuel Lapa, Carlos Botelho e Manuel Rodrigues. É com o último que irá desenvolver uma parceria de 3 décadas de atelier, que começa com a ligação ao SNI (Secretariado Nacional de Informação).





Desenvolve um grosso de trabalho ligado à divulgação da cultura e tradição portuguesa, que vai tornar-se mais intenso com a bolsa que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe atribui em 1959, para que este viaje pelo norte do país em busca das expressões gráfico/plásticas populares.





Esta pesquisa pelo tradicional irá marcar a sua restante obra, que no geral se caracteriza pelo uso de espaços negativos e formas de cor plana, formas inspiradas no bordado e na ourivesaria de duriense e re-invenções dos "motivos" da calçada portuguesa.